Os 10 anos da Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação (RBMA), completados em 2024, foram celebrados na última sexta-feira (28/3), durante o evento Webinário RBMA 10 anos, Retrospectiva do Campo e um olhar para o futuro. Durante duas horas, especialistas brasileiros e internacionais desse campo refletiram sobre os avanços na última década e tendências que irão definir o futuro da área.
O encontro foi aberto pelo presidente da Rede, Wesley Matheus, que considerou uma grande oportunidade para debater os desafios futuros que passam pela inteligência artificial e desafios climáticos, entre outros. “É uma agenda bastante relevante para a manutenção de uma sociedade pacífica, digna e que consegue alocar de forma equitativa seus recursos”.
O evento reuniu profissionais renomados para discutir suas experiências, aprendizados de eventos nacionais e internacionais, inovações metodológicas e perspectivas para os próximos anos, além de traçar conexões para o XII Seminário da RBMA, em 2026.
O primeiro painel foi conduzido por Márcia Joppert, diretora de Articulação da RBMA, que apresentou os 10 anos de história da Rede. A diretora traçou o período em quatro etapas: de 2008 a 2013, que marcou a utilização da plataforma Ning, a publicação da Revista Brasileira de Avaliação e a realização de cinco seminário nacionais; de 2014 a 2017 que contou com a formalização da Rede e a elaboração do plano estratégico para o período 2018 – 2020 com a publicação das ‘Diretrizes para a Prática da Avaliação no Brasil’ e a criação da Eval Youth – Brasil; e 2021 a 2024 que marcou um novo estatuto e uma nova governança, contou com mais duas publicações: ‘Competências para a Prática da Avaliação no Brasil’ e ‘MaisAvaliação e Menos Desigualdades’, além da realização de dois seminários. “Chegamos numa fase de consolidação e maturidade e o que marca nossa evolução são os objetivos em comum, a inclusão de várias vozes e nossas parcerias estratégicas”, esclareceu Marcia.
Em seguida, Carolina Imura, membro do Conselho Consultivo da RBMA, fez uma breve retrospectiva do XI Seminário RBMA, realizado em 2024, em Belém. Carolina chamou a atenção para as novidades trazidas neste evento, como por exemplo: a escolha de Belém para integrar novos atores da Região Norte; a conexão com a COP-30 antecipando o debate sobre o papel da avaliação no contexto das mudanças climáticas; e a integração de saberes tradicionais e inovações metodológicas em avaliação. “O evento foi uma grande oportunidade para a Rede expandir seus horizontes e para ampliar o espaço da comunidade avaliadora. Ou seja, é uma estratégia muito importante para a Rede”, definiu Carolina.
Perspectivas para o futuro – Fábio Bezerra, diretor Administrativo-Financeiro da RBMA, moderou a mesa redonda ‘Perspectivas para o futuro da Avaliação’, que contou com a participação de profissionais que expuseram experiências e tendências recentes discutidas em eventos internacionais. “Esse painel vai possibilitar perceber quais temas são emergentes e quais continuam relevantes nesse nosso campo para que possamos entender o papel da Rede nos próximos 10 anos”, esclareceu Fábio.
Participaram do painel como convidados a moçambicana Tatiana Mata, consultora de desenvolvimento empresarial e especialista em Monitoramento e Avaliação; Juliana Moraes, sócia consultora da Move Social (parceira institucional da RBMA); e Thomaz Chianca, consultor independente e um dos fundadores e membro do Conselho Consultivo da Rede.
De acordo com Tatiana, nos diversos eventos internacionais em que ela tem participado, chama a atenção um tema recorrente que é a decolonização da avaliação. “Precisamos valorizar mais os saberes locais e o protagonismo do Sul Global. Outro ponto de discussão é o uso da avaliação como uma ferramenta útil para produzir resultados que irão influenciar políticas públicas”, ressaltou Tatiana.
Juliana Moraes relatou sobre sua experiência na 15ª Conferência Bianual da Sociedade Europeia de Avaliação, realizada em setembro, na Itália. Segundo Juliana, o evento reuniu 950 participantes e contou com 430 apresentações. O tema central foi ‘Colaboração – o fazer juntos’, a partir de três eixos: ação colaborativa; pensamento colaborativo; e prática colaborativa. Entre os principais temas de discussões ressalta-se o uso da inteligência artificial nas avaliações: “Houve muita discussão sobre a interação entre a Inteligência Artificial e os processos avaliativos. Nesse caso, os desafios da prática profissional se dão no campo da ética. Há discussões em sobre regulamentação e ainda não sabemos o nível de responsabilidade que existe. É uma discussão importante para entender como utilizamos disso para que possa qualificar os processos avaliativos”, explicou Juliana
Em seguida foi a vez de Thomaz Chianca trazer as perspectivas sobre o futuro da avaliação com base nas experiências de trabalho e de participação em conferências nos últimos dois anos. Na sua percepção, as conferências de avaliações, seja na África, Ásia, Europa, Estados Unidos ou Brasil, são espaços relevantes para a discussão de tendências, métodos e desafios globais. E os temas tratados refletem crises e oportunidades também globais como desigualdade, revolução tecnológica e crise climática. “Acompanhei várias discussões de como a Avaliação precisa se posicionar e contribuir para a solução da emergência climática. Não podemos mais avaliar políticas e programas como se elas operassem numa espécie de vácuo ambiental. Cada política ou programa traz uma pegada ecológica específica. Toda avaliação agora é também ambiental e a justiça climática deve ser parâmetro”, esclareceu Thomaz.
Após a apresentação o evento seguiu com um debate que contou com a participação dos profissionais presentes e houve também envio de sugestões de temas para o XII Seminário RBMA.
Para conferir as apresentações, acesse aqui:
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